O futuro chega mais rápido do que imaginamos, e as mudanças nas últimas décadas têm moldado profundamente a nossa sociedade. Com o aumento da esperança média de vida, especialmente em países ocidentais, surgem novas questões: como envelhecer com dignidade e qualidade de vida?
Angus Maddison no seu trabalho – “Economia Mundial – uma Perspectiva Milenar”, publicado pelo Centro de Estudos de Desenvolvimento da OCDE concluiu que a criação de economias intercontinentais e o desenvolvimento tecnológico foram determinantes para a evolução. Esta obra divide o segundo milénio em duas grandes épocas: até 1820 e daí aos nossos dias.
Até 1820, a sobrevivência era a principal preocupação humana, mas desde a Revolução Industrial, o mundo viu uma aceleração no crescimento da população e no desenvolvimento tecnológico. A esperança de vida aumentou, principalmente na Europa Ocidental, onde as inovações científicas e a defesa contra doenças possibilitaram uma melhor qualidade de vida.
A Longevidade e os Desafios do Envelhecimento
Hoje, a longevidade está em ascensão em praticamente todos os países, especialmente no Japão, Europa e América do Norte. A esperança média de vida ultrapassa os 80 anos, e a previsão é de que até 2030, seja ainda maior.
Recorde-se que as Nações Unidas estabeleceram o dia 5 de novembro de 2022 como “Dia dos Oito Mil Milhões” de pessoas em todo o mundo.
No entanto, essa longevidade traz desafios, como a saúde e a qualidade de vida durante os anos a mais que ganhamos. A sociedade moderna vive num ritmo acelerado, e, muitas vezes, os nossos filhos (quando existem) podem não estar presentes para proporcionar apoio, seja pela emigração, pela independência das gerações mais jovens ou porque as condições de vida não permitem esse cruzar de gerações numa mesma casa.
A questão do envelhecimento digno e saudável surge muito antes das dificuldades de saúde, sendo necessário criar condições adequadas para garantir qualidade de vida ao longo do tempo.
Pensar o futuro: Apoio Domiciliário ou Institucionalização?
A questão não se coloca apenas quando estamos doentes ou incapacitados.
A questão deve colocar-se muito antes disso para podermos criar as condições para um envelhecimento digno e com qualidade. E é nessa altura que surgem duas vias diferenciadas: a institucionalização ou o apoio domiciliário.
A institucionalização foi vista, por muito tempo, como o único caminho após certa idade, mas há alternativas que merecem a nossa atenção. O apoio domiciliário, já amplamente utilizado nos países nórdicos, surge como uma opção mais digna e personalizada. Este permite que a pessoa permaneça no conforto da sua casa, cercada das suas memórias, enquanto recebe o cuidado necessário.
Vantagens do Apoio Domiciliário
O apoio domiciliário preserva a autonomia, garantindo que as pessoas permaneçam num ambiente familiar e seguro, rodeados por familiares e amigos. Este modelo de cuidado ajuda a evitar o desenraizamento social e emocional, proporcionando qualidade de vida e promovendo bem-estar, tanto físico quanto mental.
Neste contexto, o apoio domiciliário destaca-se como uma opção vantajosa para o envelhecimento ativo, permitindo que as pessoas vivam de forma mais autónoma e independente e com maior dignidade, no conforto dos seus lares.